Diabetes – esclarecendo alguns pontos

Esse é um assunto que eu já estudei um bocado na vida, por vários motivos. Acho que a mídia faz uma bela confusão ao abordá-lo e deu vontade de explicar algumas coisinhas…

Bom, pra começar, o nome “Diabetes” vem do grego e significa sifão,  algo por onde a água pode passar livremente. Isso quer dizer que o nome se refere ao principal sintoma da diabetes não tratada: a poliúria (fazer muito xixi). Simples assim.

Mas diabetes tem sobrenome latino, podendo se chamar diabetes mellitus ou diabetes insípidus, sem se esquecer de seu sintoma comum, a poliúria.

“Mellitus”, como já dá pra deduzir, vem de mel, de doce. Os antigos médicos-pesquisadores atribuíram esse “sobrenome” aos diabéticos de urina doce, os mais comuns.

Já “insípidus”, como também dá pra deduzir, vem de insípido, sem sabor, como a água pura. Davam o diagnóstico de Diabetes insípidus aos pacientes que apresentavam a urina assim, sem gosto de nada e cristalina como água, além de abundante, como já falei alí em cima. Essa condição é beeeeem rara. Trata-se de um probleminha na glândula Hipófise (que fica bem no meio da nossa cabeça), onde secretamos um hormônio que regula o quanto de xixi nós fazemos. Quando dá problema na parte da glândula responsável pela secreção desse hormônio, a pessoa vira uma torneirinha aberta.

A diabetes geralmente abordada pela mídia é a que mais traz problemas de saúde pública hoje em dia: diabetes mellitus.

A urina dessas pessoas fica doce porque há muuuuuita glicose no sangue e os rins acabam deixando escapulir uma parte. O sangue fica cheio de glicose porque um outro hormônio, a insulina, está ou faltando, ou trabalhando meio mal. A insulina tem uma função muuuuito importante pra nós: ela bota a glicose que comemos dentro das nossas células, o que permite que a gente tenha energia pra viver.

Aí é que vem a maior das confusões. A Diabetes mellitus, por sua vez,  pode ser classificada de duas formas: tipo 1 e tipo 2.

Na tipo 1, a pessoa, por motivos genéticos, produz anticorpos um tanto equivocados que atacam o pâncreas, bem no lugar onde a insulina é produzida. Acaba que a pessoa vai parando de produzí-la e a glicose que a pessoa come fica toda do lado de fora das células, no sangue.

Na tipo 2, geralmente, a pessoa tem gordura na barriga, geralmente não tem bons hábitos alimentares (e isso não significa apenas comer muito doce), geralmente tem fatores genéticos que dão aquele empurrãozinho e pronto, a insulina vai começando a ter dificuldades de fazer seu trabalho. Aí o pâncreas, achando que está faltando insulina, sai produzindo feito um maluco pra tentar resolver o problema, em vão. Chega um ponto em que ele desiste e a pessoa pára de produzí-la.

Os tratamentos para essas três condições tão distintas, mas com mesmo nome (Diabetes insípidus, diabetes mellitus tipo 1 e diabates mellitus tipo 2), são beeeeem diferentes também.

Em breve eu continuo, focando nos tratamentos.

OBS: não preciso nem dizer que isso aqui não substitui médico nem aqui nem na China, né? Qualquer identificação com os sintomas acima, procure seu médico (a)!