Amamentação – a saga

Amamentar não é mole. Hoje eu posso dizer com toda certeza que parir é fichinha perto de amamentar. Claro que isso não vale pra todas, mas pra mim foi assim.

Segue abaixo nossa saga…

Cecilia nasceu no dia 12 de Outubro de 2013, pesando 3,320kg e medindo 48cm, de um parto de cócoras (na banqueta) natural maravilhoso. A gravidez foi impecável desde a concepção.
Durante esse período, eu, que também nasci de cócoras, mergulhei nesse mundo e estudei tudo o que pude, fiz ioga, fisioterapia pélvica, enfim, me preparei física e emocionalmente para o parto e a maternidade.
Quando ela nasceu, veio direto pro meu colo e mamou logo em seguida. Nos separamos por cerca de 40 minutos, o que eu considerei muito. Coisas da enfermagem da clínica, que parecia querer mais atrapalhar do que ajudar. Já no quarto, mamou mais e, tanto o pediatra como outros membros da equipe do parto, comentaram que a pega e a postura estavam ótimas. Pareciam estar mesmo.

Nos dias que se seguiram ao nascimento, ela dormia muito e, quando estava acordada, ficava grudada no peito. A apojadura aconteceu logo no segundo dia, mas foi muito branda, sem aquela exuberância que ouvimos dizer por aí, dos peitos que parecem que vão explodir, de leite pingando pra todo lado. Aqui rolou só um desconforto nas axilas, um pouco de inchaço e só. Praticamente sem vazamentos.
Os bicos, porém, doíam bastante, mas não chegaram a ferir. Acontece que a dor era persistente e não melhorou após a primeira semana. Cecilia passava o dia inteiro no peito, sem desgrudar. Se tirasse, ela abria o berreiro. Eram 10, 12h com ela grudada. Meu marido tinha que me dar comida na boca até. Só tinha algum descanso quando ela dormia. Algo definitivamente estava errado.
Quando ela tinha cerca de 6 dias me bateu o pavor de achar que ela não estava mamando. Não ouvia goles, não via leite na boquinha dela, não via ela mamar com aquele ritmo de quem está deglutindo. Parecia ficar só de “chupetinha” e não via ela ganhar peso, pelo contrário, estava minguando. Fiquei apavorada. Esse insight aconteceu de madrugada e eu amanheci querendo ir direto pro banco de leite, mas ficamos todos com receio de sair de casa com ela tão novinha, especialmente para um hospital. Isso foi um grande erro.

Finalmente, quando chegou a consulta do pediatra, aos 9 dias de nascida, Cecilia havia perdido 20% do peso, caindo para 2,650kg. O pediatra se mostrou preocupado e logo prescreveu o leite artificial (LA, que chamamos carinhosamente de “leitinho” – o diminutivo atenua muita coisa) por uma técnica chamada relactação. Coincidentemente havia lido um relato naquele dia mesmo que incluía a técnica e já sabia do que ele estava falando. Nos recomendou que fôssemos ao banco de leite, mas disse para iniciarmos naquela noite mesmo.

Ele observou que as fezes dela ainda eram mecônio e, nesse ponto, já deveriam ser amarelas há muito tempo. As fezes amarelas indicam que o bebê está digerindo. Nunca vejo ninguém falar sobre isso e é um indicador importante sobre o estado nutricional do bebê neste primeiro momento

 

Sobre a relactação

A técnica consiste no uso de uma sonda de aspiração traqueal ou nasogástrica bem fininha (num. 6 ou 4) que é introduzida pelo cantinho da boca do bebê depois que ele abocanha do peito. Assim, ele mama no peito o LA, como se fosse de canudinho, mas mantendo a pega no peito e trabalhando os músculos corretos, além de estimular a produção de leite na mãe.

É uma técnica muito usada para mães que deixaram de amamentar voltarem a produzir leite, assim como também é usada para que mães adotivas possam amamentar.

Teoricamente é uma técnica com prazo de validade: desceu o leite, a produção aumentou, retira-se a sondinha e segue-se a amamentação natural.

Acontece que às vezes ela acaba ficando no esquema de alimentação do bebê por mais tempo…

Bom, a primeira vez que usamos a técnica foi traumática: não sabíamos fazer direito, Cecilia engasgou, engoliu muito leite de uma vez, ficou muito vermelha, suada e prostrada, com os bracinhos moles. Horrível! Corremos para a clínica onde ela nasceu para que um pediatra desse uma olhadinha, mas estava tudo bem. Foi só o susto e o peso do LA em seu estômago. Acontece que eu fiquei um tanto traumatizada e ficava uma pilha a cada vez que oferecíamos o “leitinho” pra ela na sonda. Era uma adrenalina só acompanhada de choradeira (minha, não dela) a cada 3h e eu sempre me questionando o que havia dado errado com a amamentação. No banco de leite me disseram que a baixa produção tinha sido causada pela pega errada que, além de me causar muita dor, não estimulou adequadamente a produção de prolactina. Pode ser…
Mas acontece que vejo mães que tiveram bebês prematuros, impossibilitados de mamar, transbordando leite mesmo sem esse estímulo. Vai entender…

 

Passamos várias semanas indo ao banco de leite semanalmente e ao pediatra pra pesar e avaliar a conduta. Esse período foi muito cansativo pra todos (meus fiéis escudeiros: marido, mãe, pai, irmã).
Toda a infra que precisamos ter em casa pra cuidar da higiene das mamadeiras e das sondinhas dava muito trabalho. Ainda não tínhamos achado a sondinha pra vender, então ficávamos revezando entre as duas que nos deram no banco de leite. Isso significava o marido (ou quem estivesse junto enquanto ele viajava a trabalho) ter que levantar de madrugada pra lavar sondinha (passar água com sabão e depois água fervente, com ajuda de uma seringa) a cada mamada.

Bom, o tempo foi passando, a sondinha foi sendo abraçada por nós como o nosso jeito de amamentar. E o leite do peito também estava sempre presente, pouquinho, mas presente e muito importante.
Pra ajudar, comecei a ordenhar com bomba elétrica e logo senti a produção aumentar um pouco, via ela dando goles quando mamava só no peito e isso me deu muita esperança de um dia retirar o LA.
Mas isso não durou muito: Cecilia foi parando de sugar. Acomodou ao fluxo fácil da sonda num. 6 que estávamos usando e que teve um efeito meio de mamadeira. Quando dava o peito puro pra ela, ela simplesmente não sugava. Nesse período a velocidade de ganho de peso dela caiu e acabou fazendo um platô na curva de crescimento que preocupou bastante o pediatra. Ele sugeriu que aumentássemos o volume. Ela estava com cerca de 2 meses e tomava 60ml a cada 3h. Depois disso tivemos que aumentar para 80ml.

Me desesperei com isso tudo, tive uma crise. Era demais pra mim. Muita dedicação para pouco resultado. Cogitei a mamadeira, mas logo aboli a idéia. Uma fono, consultora de amamentação me explicou que a mamadeira mobiliza uma musculatura totalmente diferente da musculatura mobilizada durante a amamentação e que, usando a sondinha, eu ainda continuaria a produzir leite e manteria minha filha no peito.
Então eu resolvi relaxar. Decidi que usaria a sondinha até quando fosse necessário, mesmo que passasse 2 anos com ela. Ela era a minha garantia de ter minha filha no peito, algo que é tão importante pra nós duas e que garante alguma produção de leite. Pelo leite materno vale tudo. Mesmo que seja só uma gotinha, vale todo esforço.
Nessa época estava trocando muitas idéias com outras mães que passaram esse sufoco na amamentação e uma delas me deu o maior apoio, pois tinha conseguido tirar o LA e sair da sondinha. Me deu de presente um monte de sondinhas que ela tinha lá, além de outros apetrechos, e me escreveu uma carta super carinhosa explicando que há luz no fim do túnel.
Além de me fazer sentir mais forte e energizada com seu apoio, as sondinhas que ela nos deu eram muuuuuito fininhas e não tinham que cortar a ponta (as outras precisam ser cortadas porque têm vários furinhos. Ao cortar, a ponta fica meio “espetadiça” e às vezes pode incomodar mãe e bebê durante a mamada).
Comecei a usar as sondinhas novas e fui vendo que a Cecilia estava sugando melhor. E melhor. E melhor! E minha produção começou a aumentar!

Fomos ficando experts na téncica, compramos mais sondinhas, montamos um esquema otimizado pra facilitar as madrugadas e as saídas de casa.
Nesse ponto Cecilia já estava com o peso adequado à idade, segundo a curva de crescimento. Ela foi crescendo, o peso aumentando e a dose do complemento estacionada em 80ml. E se passaram 2 meses e a dose lá, estacionada.

Pouco antes da consulta de 4 meses, resolvemos reduzir a dose para 70ml pra observar a aceitação e tudo transcorreu muito bem. O ganho de peso aferido na consulta também estava perfeitamente normal.
O pediatra me disse que, segundo os seus cálculos, se a Cecilia estivesse apenas na mamadeira, estaria tomando em torno de 200ml por vez e que, como estamos dando apenas 70ml, o meu leite equivale a cerca de 2/3 de tudo o que ela consome. Esse foi um golaço!! Saí muito satisfeita da consulta! Todo o esforço tinha valido a pena e estava dando bons frutos!

Ao longo do mês seguinte mantivemos a dose em 70ml e Cecilia não parecia estar com fome. Muitas vezes passávamos das 3h de intervalo porque ela simplesmente não solicitava. Foi a primeira vez que passamos 1 mês inteiro sem pesá-la.

Finalmente, na consulta do quinto mês (Cecilia com 5 meses e 9 dias), nos foi sugerido começar a introdução alimentar.

Defendo o aleitamento materno exclusivo por 6 meses, como preconizado pela OMS, mas como nunca estivemos em aleitamento materno exclusivo, não vi problema algum em apresentar o mundo das frutas pra ela um pouco antes. No mês que vem já substituiremos uma mamada do complemento por um vegetal amassadinho.
Não imaginava que o “leitinho” só iria sair com a introdução alimentar, mas tá valendo.

Confesso que sinto certa frustração por não ter conseguido amamentar exclusivamente, mas, fazer o que? Foi o que conseguimos. Ao mesmo tempo, tenho orgulho por termos conseguido vencer essa batalha sem mamadeiras pelo caminho e sem desmame precoce. E por ouvir do nosso pediatra que a considera uma bebê que mama no peito.

Imagino que agora o “leitinho” vá saindo aos poucos conforme as comidinhas forem entrando. E, num futuro próximo, estaremos só com peito e comidinhas.
E o peito só sai quando Cecilia quiser.

 


O Nascimento da Cecilia

Para inaugurar o renascimento deste blog, nada mais festivo que a chegada da nossa florzinha ao mundo.
Segue nosso relato de parto <3

Estava com 40 semanas e 6 dias e ainda sem sinais evidentes da proximidade do parto.
Era sexta-feira, 11/10/13, quando acordei de manhã com muita dor na lombar. Logo percebi que algo estava diferente.

A dor, antes meio difusa e irregular, começou a apresentar um padrão ritmado e resolvi entrar no banho morno pra ver o que acontecia. Engrenou.

Meu marido, que tinha viagem e compromissos marcados, teve que sair desmarcando tudo e passou a manhã nessa função. Eu me recolhi no quarto e me entreguei ao processo.

A dor era basicamente no sacro (osso da parte posterior da bacia). Não tinha sensações na barriga, apenas no sacro. Era como uma cólica menstrual forte, mas daquelas que pegam a lombar. Comecei a contar a frequência e me surpreendi quando constatei que estavam vindo com cerca de 5 minutos de intervalo, durando perto de 1 minuto. Liguei pra minha obstetra contando o ocorrido e ela, super tranquila, me respondeu apenas “Que bom. Já ligou para a E.O.? Pode ligar”.

Fazia parte do nosso esquema de parto o apoio de uma Enfermeira Obstetra (E.O.), que me monitoraria durante o trabalho de parto (TP) em casa (antes de ir pra clínica) e passaria os dados para a obstetra. Tivemos algumas consultas com ela no final a gestação e estabelecemos uma relação super legal.

Meu marido ligou para ela, que o incumbiu de anotar quantas contrações eu tinha a cada 10 minutos e ligar pra ela de volta dentro de 40 minutos.
Passado esse tempo ele retornou a ligação: 3 contrações a cada 10 minutos. Ela disse que estava a caminho.

Logo que ela chegou, veio conversar comigo sobre as características da dor, como tinha começado, o que mais tinha acontecido e resolveu avaliar minha dilatação. Estava ainda em 1cm com o colo espesso. Ouviu também o coraçãozinho da Cecilia, que estava muito bem. Ela disse que ainda tínhamos chão pela frente, apesar da frequência das contrações, e sugeriu que eu fosse para a banheira morna relaxar. Fizemos isso e foi muito bom. Meu marido entrou na água comigo pra me acomodar melhor, pois ficar controlando o corpo solto na água me dava mais contrações.
Na água as contrações pareciam mais curtas e, num primeiro momento, isso ajudou muito. Depois de um tempo na banheira, nossa EO teve que dar uma saída e disse que voltava em breve, mas que ligássemos se algo acontecesse.

Bom, cansei de ficar na banheira e resolvi ir pro quarto. Estava cansada, precisava deitar.

Durante a gestação pesquisei muito sobre o parto ativo, as diferentes posições durante o TP e suas vantagens e tal, fiz ioga com a professora Fadynha, assisti a suas aulas sobre gestação, parto e amamentação. Mas essa dor no sacro me pegou totalmente de surpresa e limitou muito minhas possibilidades. Era praticamente impossível ficar verticalizada com essa dor. Só conseguia ficar deitada de lado com duas almofadas grandes entre as pernas, pra dar maior conforto ao quadril. Também fiquei grudada na almofadinha térmica, bem quente, na lombar.

As contrações estavam ficando mais intensas e, já fazia um tempo, sentia necessidade de vocalizar durante a dor (pra não dizer gritar…). Não era nem necessidade, meu corpo gritava e eu nem tinha como questionar ou reprimir.
Resolvi então ir ao banheiro, pois não urinava fazia um tempo, e vi que o tampão estava saindo pra valer. Não me abalei. Informei ao meu marido e voltei pra cama. Nesse momento, algo em torno das 19hs, a E.O. voltou pra me avaliar: 4cm, colo apagando! Também não racionalizei quanto a isso. Meio que entrou por um ouvido e saiu pelo outro. O coraçãozinho da Cecilia continuava 100% e era só isso que importava pra mim. Minha obstetra mandou o recado de que, a partir de agora, preferia que eu usasse o chuveiro apenas, em vez da banheira, caso eu quisesse, mas eu estava meio cansada de ficar molhada e preferi ir pro quarto. Voltei pro meu mundo interno e mergulhei de novo no TP.

A parti daí eu já quase não me comunicava mais. Pensava em algumas coisas que queria dizer quando a contração passasse, mas só conseguia gemer e acabava não falando nada. Conversava só comigo mesma.

As dores tão particulares das contrações quase que permaneciam iguais, mesmo quando a contração passava. Isso estava me cansando muito já. Desde a hora que eu acordei essas dores me tomaram e me carregaram com vontade pro trabalho de parto ativo. Começava a pensar que talvez eu pedisse alguma analgesia quando chegasse na clínica. Pensei em comunicar isso ao meu marido, e até achei que o tinha feito, mas depois ele disse que eu não falei nada a respeito. É, ficou só na minha cabeça mesmo.

Nesse ponto nossa E.O. tentou avaliar a dilatação novamente, mas eu praticamente não deixei por conta da dor e ela disse ter sentido apenas uma bolsa querendo sair.

Foi então que, no meio de uma contração mega ultra power, já com alguma sensação dos puxos, a bolsa estourou e foi aquele espetáculo. Um aguaceiro só em cima da minha cama (bendito protetor de colchão!), com algum sangue e um pouco verdinho. Meu marido, que estava firme e forte o tempo todo, ficou meio impressionado com o acontecimento.

Nessa hora minha obstetra nos disse para irmos para a clínica. Sei que não foi pela ruptura da bolsa, mas pelo ponto em que eu estava mesmo: franco trabalho de parto ativo, já querendo chegar naquela temida zona de transição.

Sobre os puxos, vale comentar um pouco. Comecei a senti-los bem antes do que imaginava. Eu sabia que não era hora de fazer força ainda, sabia que, se fizesse, podia não ser legal pro colo. Conseguia controlar a força respirando rápido e superficialmente, como a respiração de cachorrinho que aprendi na ioga. Se eu respirasse profundamente, acabava fazendo alguma força sem querer. E fui segurando isso no cabresto.

Tá, tinha que ir pra clínica, mas e pra sair de casa naquele estado? Era o que mais me preocupava na verdade. Não tive medo do parto nem do trabalho de parto em momento algum, mas de ir pra clínica eu tinha medo. Cheguei a cogitar (dentro da minha cabeça, porque não conseguia falar nada mesmo) parir em casa. “Ah, quer saber? Tô aqui mesmo, tudo andando bem, por que não?” Mas encarei a ida pra clínica quietinha. Quer dizer, berrando escandalosamente a cada contração e me pendurando no marido ou na E.O. se, por um acaso, estivesse de pé quando elas chegavam.
Me surpreendi muito com o efeito que a ida pra clínica teve sobre o andamento do TP. Tudo bem que foi bem rápido, pois moro praticamente do lado, coisa de 5 minutos de carro mais os tempinhos de pegar elevador, sair do prédio e tal. As contrações, nesse meio tempo, se espaçaram e eu voltei a conseguir me comunicar com as pessoas e a interagir um pouco. Isso foi bom, pois eu não impressionei tanto assim minha mãe e minha irmã que me esperavam na entrada da clínica, nem meu pai, que me buscou em casa.

A médica assistente também estava me esperando na clínica, já com tudo no esquema pra eu entrar e subir direto pra sala de pré-parto. E foi o que aconteceu. Estava lá rapidinho, já de camisola, deitada na cama berrando (ô, que maravilha). Tudo certo. Voltei rápido pro TP, o que foi ótimo.

Nesse momento, consegui expressar pra médica assistente que talvez eu quisesse alguma analgesia e perguntei que implicações isso poderia ter. Ela me disse apenas que poderia prolongar um pouco o expulsivo, que eu já estava com 8cm, faltava super pouco, mas que, se eu quisesse mesmo, eles providenciariam.

Logo pensei naquela agulha feia entrando na minha medula e não toquei mais no assunto. Perguntei pra ela também sobre o fato do líquido amniótico estar um pouco verdinho e ela me disse: “tinto não tem problema”. Isso me tranquilizou. Significa que estava só com alguma alteração na cor, e não na consistência.

Minha obstetra chegou e veio logo falar comigo, bem de pertinho, olhando nos meus olhos, com um semblante super tranquilo e positivo. Isso foi ótimo. Só me deu força.

Elas então providenciaram a banqueta pra mim e sugeriram que eu sentasse, pois era bem provável que isso aliviasse as dores na lombar. Eu resisti um pouco porque as dores estavam paralisantes, mas meu marido me incentivou, falando que eu já tinha chegado até ali, que eram só três passinhos até a banqueta e me convenceu. Comentei com a minha obstetra sobre os puxos fortes que estava sentindo e ela: “Mas é claro! Você precisa deles pra ter sua bebê!” respondeu ela, sorridente. Então é isso aí. Foquei no expulsivo e fui.

Quando elas acharam que dava, fomos correndo pro centro cirúrgico, pois a sala de parto humanizado estava sendo utilizada. No meio do caminho tive uma contração e pedi pra sentar na banqueta pra passar por ela. Gritei horrores na frente da enfermagem toda (“tsc, tsc, tsc, essas índia do parto normal…”) e segui pro centro cirúrgico.

Um absurdo eu, sem nem um acesso venoso, nem um pingo de droga alguma no sangue (a não ser as produzidas por mim) ter que parir no centro cirúrgico, mas enfim, regras bobas do hospital, que não foram impedimento para a minha equipe maravilhosa transformar a sala de parto cirúrgico em um ambiente super aconchegante e tranquilo. Luz baixa, todas sentadinhas no chão (minha obstetra, a E.O. e a médica assistente), eu na banqueta e meu marido atrás de mim num banquinho.

Os puxos foram ficando intensos e fui orientada a aproveitá-los e fazer força junto. Eu tinha receio de lacerações, não queria mandar a força toda que poderia fazer, mas foi necessário. E, sinceramente, incontrolável! Ainda assim precisei de mais incentivo. Minha médica chegou perto, olhou pra mim e disse “ Chega uma hora em que você precisa decidir expulsar sua bebê. A hora é essa”. Eu captei a mensagem e fiz o melhor que pude. Junto com a força, os gritos estavam incontroláveis também. Nossa, nunca gritei tanto na minha vida! Simplesmente não havia essa opção de não gritar. Acontecia e pronto. E fui fazendo força junto com as dores na lombar e apertando meu marido, tadinho, que estava atrás de mim me dando suporte (em todos os sentidos). Até que a E.O. se aproximou e tirou minha camisola dizendo “vamos tirar essa camisola pra você receber sua bebê”. Aí eu vi que devia estar perto mesmo.

O tão falado círculo de fogo eu não conheci, graças a deus. E graças ao Epi-no. Prócurem saber ;)

A dor que eu sentia no expulsivo era toda na lombar, então não conseguia ter noção se estava coroando, se tinha saído a cabeça ou se ainda faltava. Não sentia nada. Apenas fui observando minha obstetra calmamente pegando as luvas, passando álcool nas mãos e braços, bem devagarzinho pra não me desconcentrar. Até que ela chegou perto e colocou a mão provavelmente pra dar aquela protegida. Meu marido começou a me incentivar na força, dizendo que ela estava vindo e, de repente, Cecilia estava no meu colo! Muito linda, chorou um pouco, depois ficou quietinha. Nossa florzinha nasceu com 48cm e 3,320kg às 1:05 do dia 12/10/2013.
O pediatra, que estava na sala já fazia um tempinho, veio vê-la, mas sem interferir em nada no nosso momento. Ouviu o coração, que estava ótimo como esteve durante todo o TP, e avaliou o básico. Ela estava muito bem. Estávamos todos muito bem! Eu fiquei eufórica! Nossa, que orgulho! Trouxe minha filha ao mundo do jeitinho que eu queria e da forma mais respeitosa e carinhosa pra ela.

Ela mamou na primeira hora, o cordão parou de pulsar, foi clampeado e cortado pelo pai e a placenta saiu tranquilamente também.

Tive uma pequena laceração de mucosa que me rendeu dois pontinhos e que achei bem chatinha de lidar no pós-parto (fico imaginando quem faz aquelas episios mega de 17 pontos…meu deus…). Meu marido me contou depois que, segundo nossa obstetra, foi a passagem do ombrinho que fez a laceração.

Eu atribuo ter conseguido esse parto lindo algumas coisas: Em primeiro ao fato de ter me entregado 100% ao processo. Eu achava que os estudos todos sobre gestação e parto pudessem me fazer teorizar demais e me travar os instintos na hora do parto, mas foi o extremo oposto que aconteceu. Não me abalei nem me impressionei com nada, apenas deixei a coisa acontecer sem impor resistência alguma, sem pânico e sem ansiedade. Confiei totalmente na capacidade do meu corpo fazer aquilo. Em segundo lugar, e não menos importante, à equipe fantástica que nos acompanhou. Cada um foi de fundamental importância e me senti totalmente segura com eles. Sempre soube que, o que quer que precisasse ser feito, seria feito e não passaríamos por nenhum sofrimento ou intervenção desnecessários. E, acima de tudo, que meus direitos como mãe, os do meu marido como pai e os da Cecilia como ser humano chegando ao mundo, seriam totalmente respeitados e tratados com todo carinho. Foi exatamente assim que aconteceu.
Também atribuo nosso lindo parto a todo o estudo sobre o assunto e ao preparo físico, emocional e mental que a Ioga da professora Fadynha me proporcionou. Recomendo!!

Parir não foi fácil, mas acho que não é pra ser mesmo. Se fosse fácil não seria tão transformador e impactante como é.

Às gestantes que lerem este relato: dá pra parir sem anestesia! Não tenham medo! Ele é o maior inimigo! Confiem na natureza, no seu corpo e corram atrás de uma equipe bacana.

Sobre a dor, não vou mentir, foi intensa, mas valeu cada grãozinho.